domingo, 8 de agosto de 2010

Essa história é nossa.Minha e da Bete

Acordei pela manhã,com um frio e uma chuva rala, mas que molhava o pelo de qualquer cachorro.Despertei cedo pensando no preto .Em como ele poderia estar. Insisti na minha busca , até encontrá-lo.Pedi ajuda.Chamei por ele, olhando por detrás do rio.Lá estava ele.Mal podia levantar a cabeça, gelado e desistindo de viver.A depressão acontece nos cães.Pricipalmente, quando os donos de quase 14 anos resolvem abandoná-lo pelas ruas do seu bairro.Pior ainda, abandoná-lo preso a uma árvore , porque ele queria ir atrás.Sei que é assim que acontece.Mas eu o encontrei e passei os mais longos dias de minha vida com o preto.Hoje, posso dizer que ele foi muito espécial pra mim.Um cão que antes por mais mal tratado que fosse ,levantava o rabo e saia por aí com sua corda no pescoço.Só que ainda ele tinha seus donos cruéis.Depois de um mês de abandono, que eu saiba, ele passou muito triste, levando pedrada, varada e sendo corrido das pessoas mais insensíveis que eu conheço.Preto foi internado .Consegui um lugar para que ele pudesse se proteger do frio e da chuva, mas tudo foi em vão. Quando de repente, consigo um dono para ele, preto se some do local.Depois de uma procura insesante da minha parte e de amigas que tenho.Amigas de verdade.Dessas que sofrem até chorar comigo. Andei por perto do rio ,chamando por preto quando vejo um movimento da sua cabeça, tentando me enxergar.Uma amiga minha, quase irmã, chamou os bombeiros.Até essa espera, se aproximou um homem estranho, mas que conseguiu pegar o preto do barro pelo qual ele escolheu para morrer.Perto da água, porque sentia sede.Meu Deus!Que dor que sinto pelo que sente ou sentiu esse cachorro.A saudade mata.Mata seres humanos e cães.Mas eu estou aqui falando dos animais .São deles que cuido.Eu e a Bete pegamos o preto ,colocamos no carro, quase sem noção de vida.Mas respirando, lentamente.Precisei levá-lo para a garagem do meu carro , no porta-mala.O deixei alí por um tempo se esquentando.Depois recebi um telefonema da Bete, me guiando, me ensinando o que fazer.Me instruiu para levá-lo até um veterinário que estava de plantão .Cheguei lá.Antes disso coloquei uma música suave para o preto.Falei com ele.Eu escutava ele se mexer mudando de posição dentro do porta-mala.Finalmente, cheguei à clínica.Lá esperei com o porta-mala do carro aberta até o Dr. pegá-lo .Contei a história do preto. E decidimos juntos que ele seria infeliz se vivesse.Resolvi então, fazer a eutanásia.Me despedi.Ele ainda levantou sua cabeça, me olhando, e eu fechei seus olhos com minhas mãos.Então pude dizer a ele ainda, algumas palavras de conforto.Tive um sentimento de perda muito forte nesse momento e de frustração , por não ter podido salvar sua vida.Ele nunca foi feliz, ou talvez tenha sido quando apanhava de seus malditos donos.Mas agora tenho certeza que essa história terminou.Pena que o final não foi como daqueles que a gente lê nas histórias bonitas e com final feliz.Estou de luto.E hoje é dia dos pais!

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